Neste momento coisas de que eu tanto gostava estavam a
tornar-se um peso. Uma obrigação. O vazio ficava em lugar da importância que
outrora todas aquelas coisas tinham tido para mim. As coisas mudam, as pessoas
mudam. Estamos sentados numa cadeira e o tempo faz com que à nossa volta tudo
mude. As memórias, essas, ficam guardadas em pedaços selados da minha mente.
Partes essas onde um dia eu te guardei, onde secretamente te visitava todas as
noites antes do sono profundo tomar conta de mim. E ainda agora eu te via na
minha mente, lembrando-me de pequenas lições e de grandes feitos num pequeno
coração. No meio de tanta coisa que esqueci no passado, vieram à mente
conversas à chuva, desabafos escondidos e murmurados ao vento. Lembrei de como
a caneta deslizava pelo papel, querendo ocupar sempre mais e mais espaço, entre
pensamentos confusos de uma mente abalada pelas memórias. Agora escrevi tudo
num papel e talvez o enterre. Talvez, tal como fiz com aquele papel perfumado,
encerre um capítulo. Tanta coisa mudou em segundos. A importância do mundo era
relativa comparada a sentir os teus lábios movimentarem-se contra os meus, algo
que eu jamais sentirei… Algo que deixei de acreditar ser possível. Não devido a
sentimentos vazios, porque o nosso copo não era meio vazio, era meio cheio.
Éramos nós meu amor, e as nossas lembranças. E veio uma onda do mar e lavou a
minha alma, ficando apenas a realidade dos nossos actos onde o carinho um dia
teve lugar. Onde a mente se organizava a si mesma… Onde o que ontem foi e hoje
já não é. Talvez ninguém entenda o que sinto, mas eu queria saber se me
entendes, se me ouves, se me queres, e se ao fim de tudo, dentro de ti, ainda
me procuras.
sábado, 21 de julho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
σѕ нσмєηѕ, νєяηιzєѕ, ѕαℓτσѕ αℓτσѕ є ∂σяєѕ ησѕ ρéѕ. α ѕιησηiмια
Ontem, estava eu numa demanda por um verniz cor-de-rosa,
quando notei, no meio de tanto verniz, que os vernizes e os homens têm
semelhanças incríveis!
Bem, talvez eu pusesse de parte a secagem rápida, mas sim.
Em primeiro lugar, ambos têm muitas utilizações. Ambos nos
irritam profundamente quando estão gastos e já não há mais nenhum, porque eram
edição limitada.
Ficam bem nas nossas mãos, e alguns até nos pés. Também “saem
fora dos eixos” e borram a pintura toda. O que não é NADA boa ideia.
Tal como o verniz, os homens são postos na prateleira. Há de
diversos tamanhos , marcas e feitios. E quando temos um, há sempre um sujeito
ou uma sujeita que pergunta onde arranjámos.
Há quem não goste, há quem adore, há quem goste de vários. Há
quem só queira um, e quem tenha dezenas deles, e não goste de nenhum. E sim,
isto é válido tanto para os homens como para o verniz.
Há aqueles que precisam de segunda camada, os que brilham no
escuro, os com brilhantes, os endurecedores, e os edição limitada. E, tal como
os vernizes de edição limitada, a partir do momento em que eles existem, temos
de palmilhar muito para obter determinada coisa. Enfim, é a vida!
Depois há aqueles que são confortáveis e que mesmo que doa um bocadinho ou faça bolha , não nos conseguimos separar deles. E depois há aqueles que fazem bolha, calo, e doer para carago, e mesmo assim continuamos a insistir em usar os raios dos sapatos, como se um dia aquilo fosse mudar. Aquilo pode mudar um dia, mas também pode não mudar. Mas a esperança mantêm-se.
Há aqueles em que vamos a andar na rua e partimos o salto. E quando se parte o salto entra-se em pânico.
E, como pessoa que adora ténis, não quero dizer que os homens sejam algo acessório, mas como eu já ensinei á minha pequenina, as princesas precisam de príncipes, mas as guerreiras salvam-se sozinhas. E olha que normalmente, se a princesa não se mexe, é comida pelo dragão.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
υм τєχτσ cσм "ρózιηнσ" *
Chegará um dia em que te habituarás á minha ausência por
breves minutos. Depois, esses minutos vão passar a ser horas. Essas pequenas
horas transformar-se-ão em dias, que pouco a pouco formarão semanas. E,
inevitavelmente, essas semanas farão um mês que levará a outros meses. Chegará
o momento em que te vais esquecer do meu riso e do som da minha voz. Pouco a
pouco, vais esquecer as coisas que me faziam rir, o pouco que sabias sobre mim.
A isso, seguir-se-á a minha morada, a minha idade, o meu nome. Tornar-me-ei
numa lembrança tão vã que não terás mais nada do que te lembrar. Alguém te
falará de mim, e tu simplesmente agirás como se nunca me tivesses conhecido.
Todos os dias, eu sentirei a tua falta. Contarei os segundos sem ti e com eles
farei um livro. Lembrar-me-ei dos nossos segredos, das nossas promessas, não
interferindo na tua vida para que me esqueças ainda mais. Vou lembrar-me de
cada palavra, de cada frase, de cada suspiro. Vou lembrar-me de ti a cada dia
da minha curta vida. E, no entanto, agirei para que não te lembres de mim. Vou
ver-te ser feliz, construir uma vida nova ao lado de alguém, enquanto eu vou
guardar as minhas lágrimas para mim. Vou sair dos teus sonhos e ela irá
preenchê-los por mim. Ela irá dar-te o que eu não te pude dar. Quando te
habituares completamente á minha ausência, quererei desaparecer de verdade.
Quererei construir algo novo, sem ti. E vai custar-me tudo, tal como eu sempre
soube que custaria. Nesse dia, o arco-íris irá desaparecer para mim, e eu
saberei que me esqueceste.
E tentarei desaparecer. E quando o tentar fazer, não me
deixes. Abraça-me, chama-me de tonta, ri-te da minha teimosia. Diz que me amas.
Porque se me amares, não terei de te deixar ir, porque aí eu serei o melhor
para ti, e tu o melhor para mim.
Sê meu, e eu serei tua.
domingo, 3 de junho de 2012
«March, 12. - E um dia talvez repares que não estou mais aqui. E aí vais
perguntar-te onde estou. Vais ter saudades de quem fui, e vais arrepender-te.
Mas eu não pude esperar pelo teu arrependimento. Nem que dissesses que
lamentavas. Não pude continuar na ilusão que um dia abririas os olhos. Porque
não era o que me competia. Não era esperar. Porque, esperar por ti era como
esperar pela chuva. Uma completa perda de tempo. E como vês, na verdade,
continuo a escrever sobre ti. Talvez para aprenderes. Talvez para partires. Talvez
porque é uma lição.»
Today - Mas principalmente, porque tenho medo que me aconteça o
mesmo de novo. Que mais ninguém lamente. Que eu perdoe, perdoe, e perdoe de
novo, e tudo acabe exactamente da mesma maneira. Tenho medo porque,
substancialmente não me posso dar ao luxo de confiar. E isso mata-me. Pedaço a
pedaço. Achas que acredito que vai ser tudo um mar de rosas, e que vai ser como
nos filmes na Disney, e no feliz para sempre? Não. Acredita, não sou o tipo de
pessoa que se possa dar ao luxo de acreditar nisso. E a culpa talvez não seja
tua, talvez seja minha. Talvez eu tenha dado demais. Talvez eu não consiga ver
mais nada senão as coisas más. Mas há coisas das quais eu não tenho culpa. Da
dor. Dos pedaços partidos. Das conversas que tanto disseram sem nada se ouvir.
Disso, nada tenho culpa. Disso, nada me arrependo. E por mais que isso seja o
pior de tudo, é impossível me arrepender de algo assim, porque fez de mim o que
sou. Fez de mim a pessoa que tem medo. E sabes, nem tenho problema em dizer que
tenho medo. Faz de mim humana. E a nossa humanidade é o que nos define a todos.
E sabes o medo? Um dia ele vai desaparecer. Assim como tudo
o resto desapareceu quando eu precisei que desaparecesse. Assim como eu pedi
para que tudo mudasse e tudo mudou. E foi devagar, progressivo. Para habituar
todas as moléculas do meu corpo á ausência. Para habituar todas as partículas
do meu coração à liberdade. E tudo isso custou, mas tudo isso me fez viver.
sábado, 2 de junho de 2012
Já desejei ser dona do mundo. Olhar e ver acontecer, sentir
no meu coração o bem, o amor, tudo de bom. Também desejei o que não podia ter.
Erro, maldição, coisas fúteis, não interessa. Olho pela janela e vejo um novo
amanhã. Se tu existes, eu existirei, e nós existiremos, num mundo. Esse mundo,
que não é teu nem meu, será nosso, apenas para o podermos guardar. Quando
achamos que a vida já não vale nada, caminhamos entre a erva e achamos uma
flor. Olhamos vagamente para as nuvens e vemos o brilho do sol entre elas. Em
tudo, há esperança. Se deixarmos de acreditar, para quê viver? Para quê
deixar-nos condenar, para quê deixar bater um coração vazio, que nada preenche,
em que nada vive. Um coração que quase não bate, apenas o faz por hábito. Que
pode ter sido partido tantas vezes que pode já não voltar a bater na próxima.
Quando isto acontece, usamos cola. Achamos que a cola vai durar sempre, que
seremos sempre fortes , que nada nos derrubará. Doces mentiras, doces enganos.
Tecemos uma teia, onde a felicidade morre a cada dia pelo engano. Pela mágoa.
Vivemos algo que não é nosso. Quando isso acaba, o que podemos ter? Olhamos
para tudo e vemos que não lutámos. Preferimos, viver, essa doce ilusão, e não
olhar para trás. Afinal, quando a vida nos oferece uma chance de sorrir, a
primeira coisa que fazemos é aceitá-la , mesmo sem saber que é real, que é
nossa, que tem o nosso nome escrito a caneta de acetato, daquelas que não se
podem tirar.
Ás vezes achamos que tudo é para sempre. Ás vezes, não é. Ás
vezes encontramos o nosso destino ao virar da esquina e uma simples frase pode
mudar tudo, desde que signifique algo, que seja sincera, que venha misturado
com um cheiro a sinceridade, como cheiro a chocolate. Aceitas a mudança. És
abençoada. Rejeita-la. Perdes tudo. Quando te dão algo, quando a vida te dá
algo, não podes desperdiçar. Primeiro, tem de ser real, depois, fica para
sempre.
E assim, há a sobrevivência. Vencer os demónios, superar o medo. O medo que tanto destrói e tanto condena. Tirar o peso de cima das costas, o peso que antigamente tanto torturava, o peso que um dia foi o criador de todo o tipo de desgraça. O peso que, acabou por desaparecer, pedaço a pedaço, pedaços esses que eu partilhava com a alegria de tentar ter o que nunca poderia ter. Alegria essa que se tornou na minha maior desgraça. E tudo isso desapareceu. E não voltou mais.
Eu poderia dizer imensas coisas. É, eu podia. Mas nada do que eu disser fará sentido. Porque, de alguma maneira, nada seria comparado ao que realmente é. Quer dizer, já tentaste descrever um pôr-do-sol? É lindo, brilhante. Mas que diz isso sobre o que significa no coração de cada um? Será apenas mais um pôr-do-sol? Será aquele que mudará toda a vida da pessoa, em que todas as decisões são tomadas e aceites por determinado ser humano, e que aí todo um novo futuro se constrói?
E eu não posso descrever um pôr-do-sol. Assim como não posso descrever isto. E podia fazer disto uma teoria. Algo que não se pode explicar é directamente atingido pela Teoria do Por-do-Sol.
Mas isto digo eu, que gosto de divagar xD
"Love doesn't make the world go round. Love is what makes the ride worthwhile"
Lσѕτ *
Era suposto eu estar bem. Na verdade, radiante. Ainda mais,
perfeitamente feliz. Mas não estou. Hoje, em vez de sair, fiquei em casa.
Sentia um peso enorme. Não sei se eram as lágrimas reprimidas. Não sei se foi
aquele regresso ao passado tão repentino que de repente me passou pela cabeça,
pela cabeça do ser humano fraco que sou. Nem sei se foi de acordar sem ter
dormido tudo. Não sei. Mas, não consigo… Eu, não sei.
Em primeiro lugar, há pessoas a quem eu devia pedir
desculpa. Pessoas a quem magoei. Pessoas que me magoaram. E o mais difícil é
não ser capaz de o fazer. Ou se for capaz, não ser o suficiente. Pela primeira
vez na minha vida, neguei aquele instinto de vingança e maldade tão
característico meu. E apeteceu-me pedir desculpa. Mas não pedi. E queria que
tivessem pedido desculpa. E não pediram.
Em segundo lugar, não entendo como podemos ter o que sempre
quisemos e estar, ainda assim, insatisfeitos. Será que o ser humano nunca se
contenta? Livrei-me da droga que tanto me atormentava. E isso, para alguém tão
casmurra, repetente e cansativa como eu, foi uma grande vitória. Sabes aquele
sujeito que vem num cavalo branco, por quem tu esperas toda a vida? Ele não vem
num cavalo branco, nem veste fatinho branco, nem é perfeito como nos filmes da
Disney. Esse sujeito é humano. E é, ainda assim, o mais próximo de perfeição
que se pode encontrar, por isso, não devemos deixar esse tipo de pessoa ir
embora.
Em terceiro lugar, continuo a sentir-me sozinha hoje. Não
sei se é por causa da exaustão tão acentuada que me obrigou a adormecer em cima
de um pequeno trampolim. Aliás, nem me lembro do que a rapariga que estava a
dormir pensava. Porque ela tirou férias neste preciso momento. E essa sim, tem
sorte. Eu, nada sei, tudo digo e muito pouco acerto.
Eu, a minha humanidade tão finalmente definida, e os meus
erros tão presentes, levam-me hoje a aceitar que o dia em que paramos de
tentar, é o dia em que deixamos a terra engolir-nos. Porque é o que sinto
agora. Mesmo tendo uma parte de mim que tem tudo o que sempre sonhou, a outra
parte falta algo. É o puzzle incompleto, aquele que só aparece quando a
exaustão chega. E não sei o que pode curar isso. Nem sei se vale a pena curar.
Talvez devesse enterrar esta parte, tão exausta de sentimentos, tão retraçada e
tão dorida. Como se tivesse sido atingida por milhões de facas. É como se
tivesse a fazer o luto do que um dia eu fui, e do que parte de mim continua a
ser.
Mas sabes, eu sou a fénix. Aquela pequena personagem que
renasce das cinzas. Aquele pequeno animal que nunca desiste. Que volta, e
volta, e volta. Assim como eu. Eu volto. Eu voltei, e vou continuar a voltar.
Não sei porquê nem como. Não sei.
Eu quarto lugar, está o medo. O medo de me enganar, de
errar, de voltar a cair na minha tendência imperfeita de acreditar e sofrer, e
desse ciclo se repetir vezes sem conta, sem eu na verdade dar graças do que
tenho, ou do que um dia tive. Simplesmente tornou-se imperativo não deixar o
coração morrer. Fazê-lo continuar a bater, independentemente de tudo. Sem
parar. Sem doer. Tentar. Não desistir.
«Ás vezes as pessoas choram quando estão felizes. E não é por quererem estar infelizes, ou por serem loucas. É porque mesmo quando estão felizes, ainda sentem que falta algo. Porque mesmo quando o sol brilha o arco-íris ainda tende a aparecer, pelas lindas gotas de chuva que caem da nossa alma. E sim, a alma chora quando não tem quem a complete. Porque almas sozinhas são almas vazias, sem nada dentro, sem nada saber. E cada lágrima que cai contempla toda a sabedoria dessa lágrima, ali, quieta e rolando pela face abaixo.»
«Ás vezes as pessoas choram quando estão felizes. E não é por quererem estar infelizes, ou por serem loucas. É porque mesmo quando estão felizes, ainda sentem que falta algo. Porque mesmo quando o sol brilha o arco-íris ainda tende a aparecer, pelas lindas gotas de chuva que caem da nossa alma. E sim, a alma chora quando não tem quem a complete. Porque almas sozinhas são almas vazias, sem nada dentro, sem nada saber. E cada lágrima que cai contempla toda a sabedoria dessa lágrima, ali, quieta e rolando pela face abaixo.»




