sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ℓ-ι-f-є


Nascemos. Vivemos. Morremos.

 É assim que funciona. E na parte de viver temos a dor. Ela nunca desaparece. Nunca diminui. Simplesmente esquecemo-nos dela ás vezes. Tentamos transformar o mundo para que não doa tanto, e sabes… Ela ainda aumenta mais. Não podemos viver sem dor assim como não podemos viver sem amor. Considero isto um equilíbrio no mundo, como o bem e o mal, a luz e a escuridão. Tudo tem o seu preço, tudo tem o seu oposto. Tudo muda, tudo avança, nada pára. E sabes aquela pessoa que se agarra sempre ao passado? Acaba por perder muito… portanto cuida dela. Se um dia sentires falta de alguém, diz-lhe. Não fiques à espera que o tempo passe. Talvez essas palavras façam realmente diferença. Nunca percas a esperança. Continua a acreditar, mesmo que tudo esteja contra ti. Nunca deixes de sonhar, cantar alto e dançar quando ninguém vê. Não deixes de sorrir, amar, desejar, porque tudo isso é viver. Comparado com o que podes ter, a dor é apenas um pequeno preço a pagar. Um dia vai acabar por chegar aquela pessoa que vai valer cada lágrima que choraste, todas as vezes que te desmoronaste e que te partiste em pedaços enquanto soluçavas sozinha. E essa pessoa nunca te vai deixar ir, porque vai compreender o que significas. Vai apoiar o teu coração, conquistar o teu mundo, e fazer-te feliz. Mas talvez… talvez não seja para sempre. 
O mundo gira depressa, por isso não nos devemos agarrar… Devemos deixar-nos ir, descontrolar-nos quando o devermos fazer. Devemos ser livres como pássaros e voar. 

Stay Strong*

terça-feira, 24 de julho de 2012

ηãσ τє cσηнєçσ...


Não te conheço.
Apenas sei o teu nome, assim como tu sabes o meu.
Nenhum de nós se conhece.
Nunca senti o calor do teu abraço ou o teu cheiro. Nunca te vi, nunca te toquei. Nunca me viste, não sabes o som da minha voz nem a cor exacta dos meus olhos.
O mais incrível é a maneira estúpida em como eu ainda olho para todo o lado à tua espera. À tua procura. Porque incrivelmente ainda tenho esperança. Esperança essa que diminui de dia para dia, até , num certo momento nesta cronologia, já nada restar.
Nunca me viste sorrir, nunca te vi caminhar.
Estou ciente da tua existência, da tua presença muda que partilhas comigo por breves momentos na tua mente. Então finges que nada muda. E eu finjo que para mim tudo é igual.
Ambos construímos uma vida baseada em sonhos vazios. Em escombros do passado, teus e meus. E ás vezes penso em nós, sabes? Vejo-nos sentados no meu sofá, a rir. Vejo-nos juntos a passear. Vejo-te antes de fechar os olhos quando adormeço. Por breves segundos, gosto de fingir que lá estás a abraçar-me. Impede que eu me sinta tão só, tão vazia, no único momento que tenho só para mim. No entanto, sei que não é real… Sei que somos existências separadas, na ilusão de um para sempre que nunca chegará. O mundo não nos conhece aos dois e não somos donos de nada. Estamos separados por montes, vales, estrelas e casas. Quilómetros, milhas, metros, horas de viagem.

Não me conheces. Eu não te conheço.
E talvez nunca venhamos a conhecer-nos.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

∂αγѕ

Há dias em que simplesmente não consigo sorrir. Os dias de chuva não têm de ser tristes, mas dias de gelo no coração não são dos melhores. Há dias em que não choro, porque as lágrimas valem demais para assuntos que o vento leva e que rodopiam em seu redor. Há dias em que sinto que o meu coração não bate, e que tudo vai ser pior do que aquilo que já é. E no fim dos meus dias, olho para trás e vejo o que já foi. Vejo-te, vejo o mundo. Vejo como o mundo é teu e tu dele, e a maneira como as coisas flutuam em redor desse mundo que tudo constrói e tudo destrói. E a vida, essa, passa lentamente, e tão rapidamente por vezes que num piscar tudo muda. E pensamos nas escolhas, nas mudanças, nas tentações que ultrapassámos. Nas lágrimas que chorámos, sorrisos que sorrimos, abraços que demos, canções que cantámos...
A vida é feita de olhar para o passado e aprender com ele, e ás vezes até mesmo esquecer tudo e construir um novo futuro, não com quem um dia amamos mas com quem na verdade nos faz bem.  O passado e o presente vão um dia fazer o futuro, e temos de admitir a nós mesmos que se não os tivéssemos não poderíamos ser felizes um dia.  Lembro-me do amor que senti por ti. Lembro-me de como o mundo passou por nós, de como a vida nos separou de modo tão inteligente, e de maneira tão dura. Não vou esconder que  sinto falta do que um dia houve em mim, nem vou esconder que apanhei as memórias todas e as gravei no meu peito, como uma lição, como força para o futuro...



I have died everyday waiting for you
Darling don't be afraid I have loved you
For a thousand years
I'll love you for a thousand more

And all along I believed I would find you
Time has brought your heart to me
I have loved you for a thousand years
I love you for a thousand more


α ∂яσgα ιιι - α яєαвιℓιταçãσ ∂α gυєяяєιяα (αвя. )


Minha droga, neste último mês desapeguei-me de ti enquanto vício. Relembrei-te dentro da minha alma como uma lição a aprender. Quanto mais negasse o que eras, mais desejo sentiria pelas injecções diárias e frias que me proporcionavas. Depois de tantos meses a sentir-te percorrer o meu corpo, soube que estava na altura de arranjar um novo vício. Bem, não totalmente um vício, mas algo que me sustentasse sem ti. E esse algo sustentou-me. Poupou a minha alma ao desgosto de não te ter. Cobriu a ferida enorme que deixaste no meu peito e que agora se refez. Foi como o arco-íris depois de um furacão. Tu sim, foste o furacão da minha vida, o que mais me abalou e confundiu os sentimentos neste coração já tão partido e merecedor de dó. E o quanto eu amava sentir-te correr pelas minhas veias, mudou. Percebi que viveria sem ti, sem a minha dependência. Percebi que também tu, minha droga doce, viverias sem a minha dependência de ti. E aos poucos fui-te deixando na gaveta, na seringa que tu tanto amas, na qual aprisionas todo o teu poder, e vida e saudade. Nada voltará a ser como foi antes de ti. Como poderia? Falo no passado mas nada garante que a nossa separação seja eterna. Foste tu que ao longo de meses de sofrimento me conseguiste ainda assim levar para longe da escuridão. Porque eu achava que não eras a escuridão. Eras o bem e o mal numa só figura. E tantas vezes chorei por ti, pelo vício, por sentir o teu cheiro no ar e a tua presença por perto? Quantas vezes, minha droga, evitei estar perto do mundo apenas porque coexistias no mesmo corpo que eu? Voei contigo presa na minha alma, cedi ao vício doentio que me fazia querer que corresses pelas minhas veias. Fui fraca chorei. Mas por chorar também fui forte, quando não podia mais com a minha ligação a ti e tentava despedaçar contra a parede dura e fria.
E agora acabou… E sabe tão bem respirar de novo. E sabe tão bem viver, cantar, sorrir, sentir a vida em mim, a vida livre, sem ti, sem a tua presença, e sentir que o meu coração poderia bater mesmo sem ti. Acredita, eu só precisava de uma oportunidade para deixar… Tive, deixei. E agora vivo, não para sempre, mas por um longo período sem ti, para melhorar o que deixaste partido, para curar as cicatrizes das nossas feridas, e aprender a ser eu de novo. 




sábado, 21 de julho de 2012

ρяσcυяσ-τє...






Neste momento coisas de que eu tanto gostava estavam a tornar-se um peso. Uma obrigação. O vazio ficava em lugar da importância que outrora todas aquelas coisas tinham tido para mim. As coisas mudam, as pessoas mudam. Estamos sentados numa cadeira e o tempo faz com que à nossa volta tudo mude. As memórias, essas, ficam guardadas em pedaços selados da minha mente. Partes essas onde um dia eu te guardei, onde secretamente te visitava todas as noites antes do sono profundo tomar conta de mim. E ainda agora eu te via na minha mente, lembrando-me de pequenas lições e de grandes feitos num pequeno coração. No meio de tanta coisa que esqueci no passado, vieram à mente conversas à chuva, desabafos escondidos e murmurados ao vento. Lembrei de como a caneta deslizava pelo papel, querendo ocupar sempre mais e mais espaço, entre pensamentos confusos de uma mente abalada pelas memórias. Agora escrevi tudo num papel e talvez o enterre. Talvez, tal como fiz com aquele papel perfumado, encerre um capítulo. Tanta coisa mudou em segundos. A importância do mundo era relativa comparada a sentir os teus lábios movimentarem-se contra os meus, algo que eu jamais sentirei… Algo que deixei de acreditar ser possível. Não devido a sentimentos vazios, porque o nosso copo não era meio vazio, era meio cheio. Éramos nós meu amor, e as nossas lembranças. E veio uma onda do mar e lavou a minha alma, ficando apenas a realidade dos nossos actos onde o carinho um dia teve lugar. Onde a mente se organizava a si mesma… Onde o que ontem foi e hoje já não é. Talvez ninguém entenda o que sinto, mas eu queria saber se me entendes, se me ouves, se me queres, e se ao fim de tudo, dentro de ti, ainda me procuras. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

σѕ нσмєηѕ, νєяηιzєѕ, ѕαℓτσѕ αℓτσѕ є ∂σяєѕ ησѕ ρéѕ. α ѕιησηiмια


Parece não haver semelhança, certo? Eu ajudo.
Ontem, estava eu numa demanda por um verniz cor-de-rosa, quando notei, no meio de tanto verniz, que os vernizes e os homens têm semelhanças incríveis!
Bem, talvez eu pusesse de parte a secagem rápida, mas sim.
Em primeiro lugar, ambos têm muitas utilizações. Ambos nos irritam profundamente quando estão gastos e já não há mais nenhum, porque eram edição limitada.
Ficam bem nas nossas mãos, e alguns até nos pés. Também “saem fora dos eixos” e borram a pintura toda. O que não é NADA boa ideia.
Tal como o verniz, os homens são postos na prateleira. Há de diversos tamanhos , marcas e feitios. E quando temos um, há sempre um sujeito ou uma sujeita que pergunta onde arranjámos.
Há quem não goste, há quem adore, há quem goste de vários. Há quem só queira um, e quem tenha dezenas deles, e não goste de nenhum. E sim, isto é válido tanto para os homens como para o verniz.
Há aqueles que precisam de segunda camada, os que brilham no escuro, os com brilhantes, os endurecedores, e os edição limitada. E, tal como os vernizes de edição limitada, a partir do momento em que eles existem, temos de palmilhar muito para obter determinada coisa. Enfim, é a vida! 

Quanto aos sapatos de salto alto... Deixam as raparigas bonitas, o que me faz ter a certeza que uma mulher amada, é uma mulher bonita. Isto relaciona-se porque os homens (decentes) dão-nos segurança. Tal como os saltos altos de plataforma. 
Depois há aqueles que são confortáveis e que mesmo que doa um bocadinho ou faça bolha , não nos conseguimos separar deles. E depois há aqueles que fazem bolha, calo, e doer para carago, e mesmo assim continuamos a insistir em usar os raios dos sapatos, como se um dia aquilo fosse mudar. Aquilo pode mudar um dia, mas também pode não mudar. Mas a esperança mantêm-se.
Há aqueles em que vamos a andar na rua e partimos o salto. E quando se parte o salto entra-se em pânico. 

E, como pessoa que adora ténis, não quero dizer que os homens sejam algo acessório,  mas como eu já ensinei á minha pequenina, as princesas precisam de príncipes, mas as guerreiras salvam-se sozinhas. E olha que normalmente, se a princesa não se mexe, é comida pelo dragão. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

υм τєχτσ cσм "ρózιηнσ" *


Chegará um dia em que te habituarás á minha ausência por breves minutos. Depois, esses minutos vão passar a ser horas. Essas pequenas horas transformar-se-ão em dias, que pouco a pouco formarão semanas. E, inevitavelmente, essas semanas farão um mês que levará a outros meses. Chegará o momento em que te vais esquecer do meu riso e do som da minha voz. Pouco a pouco, vais esquecer as coisas que me faziam rir, o pouco que sabias sobre mim. A isso, seguir-se-á a minha morada, a minha idade, o meu nome. Tornar-me-ei numa lembrança tão vã que não terás mais nada do que te lembrar. Alguém te falará de mim, e tu simplesmente agirás como se nunca me tivesses conhecido. Todos os dias, eu sentirei a tua falta. Contarei os segundos sem ti e com eles farei um livro. Lembrar-me-ei dos nossos segredos, das nossas promessas, não interferindo na tua vida para que me esqueças ainda mais. Vou lembrar-me de cada palavra, de cada frase, de cada suspiro. Vou lembrar-me de ti a cada dia da minha curta vida. E, no entanto, agirei para que não te lembres de mim. Vou ver-te ser feliz, construir uma vida nova ao lado de alguém, enquanto eu vou guardar as minhas lágrimas para mim. Vou sair dos teus sonhos e ela irá preenchê-los por mim. Ela irá dar-te o que eu não te pude dar. Quando te habituares completamente á minha ausência, quererei desaparecer de verdade. Quererei construir algo novo, sem ti. E vai custar-me tudo, tal como eu sempre soube que custaria. Nesse dia, o arco-íris irá desaparecer para mim, e eu saberei que me esqueceste.



E tentarei desaparecer. E quando o tentar fazer, não me deixes. Abraça-me, chama-me de tonta, ri-te da minha teimosia. Diz que me amas. Porque se me amares, não terei de te deixar ir, porque aí eu serei o melhor para ti, e tu o melhor para mim.
 Sê meu, e eu serei tua.